Eu gosto tanto dele.
A frase “Eu gosto dele” já foi usada de maneira totalmente inadequada por várias pessoas ao meu redor, coisa que dói no meu fígado, se você quer saber. Porque essas três palavras têm um poder doentio de carinho e, no meu caso, sempre remetem a um pouquinho de nostalgia. Mas cada um escuta de uma maneira. “Eu gosto dele” não deveria, em hipótese alguma, ser usada para substituir um “Eu não o amo”. “Eu não o amo” deveria ser dita com essas palavras e nenhuma outra, mas por algum motivo, o não-amor assusta e parece ofensivo para a maioria das pessoas. Não sei do que todo mundo tem medo. Mas também não conheço aquilo de buscar por amor, já que ele sempre me atropelou como um trem e nunca foi muito por tentativa. Nunca tentei amar ninguém.
Porém, o fato de eu sempre ter amado demais nunca me tirou o bom gosto de um “Eu gosto dele”. Existe um jeito delicioso de dizer, um jeito que traz brisa leve e gosto de alguma coisa que te lembre a figura. Gosto de morango. Cheiro de gato. O sorriso é sempre involuntário e geralmente é seguido de mãos tímidas cobrindo o rosto, e aí aquilo sai: “Nossa, eu gosto tanto dele”. Eu gosto. Gosto tanto de quem amo, e amo gente de quem eu não gosto muito, o que também faz parte. Mas quando essas palavras saíram dos meus lábios, seguidas por um “Eu sinto tanta falta de conversar com ele”, há cerca de três horas desde que nos despedimos e a menos de duas horas de distância do próximo encontro, eu soube o quanto estava apaixonado.
